| Horta Comunitária do Bairro Novo Horizonte no ano 2007 |
O espaço é, antes de tudo, produto de uma
cultura, na medida em que não há um "mundo natural", ou seja, os
diferentes espaços da nossa cidade são produtos das relações humanas, fruto dos
fenômenos culturais e sociais.
O bairro onde se localiza o Cesei “Raio de Luz”
fica na periferia de Governador Valadares. Quando há edital para preenchimento
de vagas nesta instituição é comum ouvirmos os “buchichos”: “Nossa! Você vai
trabalhar lá? É um bairro perigoso. Já vi na TV que acontece tiroteio lá. Que o
acesso é difícil em tempo de chuva... etc”.
Contudo, apesar dessa “representação” associada à
pobreza e violência o Novo Horizonte possui outras faces invisíveis para a
mídia, para moradores de outros bairros e até mesmo para seus próprios
moradores. Por vezes, as lentes da rotina e as nuvens acinzentadas de
comentários como o que fora citado nos impedem de olhar além dessa perspectiva
e perceber as dimensões educativas que existem ao nosso redor e que podem se
articular com a proposta pedagógica das instituições de ensino.
Fazendo esse exercício de desnaturalizar o olhar
para os espaços no entorno da instituição foi possível verificar que existem
lugares potencialmente educativos no bairro: a praça, a Pastoral da Criança, o
Posto de Saúde, as igrejas, lan houses,
as chácaras, a ponte nova, a horta comunitária, para a qual daremos destaque
nessa atividade.
HORTA COMUNITÁRIA
Esse espaço foi construído em 2005, dois anos
depois do surgimento do bairro, com o objetivo de fomentar a agricultura familiar
urbana, melhorando a qualidade de alimentação dos moradores e convívio social. Como
figura no texto do guia de viagem: São os
atores sociais que transformam os espaços físicos em lugar, por meio da
produção de estilos com estruturas particulares de significados, os quais
envolvem memória, sentimento de pertença e afirmação coletiva.
Contudo, os sujeitos envolvidos com as atividades
da horta não conseguiram desenvolver um trabalho “em comum”, as relações
conflituosas e falta de sentimento de apropriação por parte dos moradores
fizeram com que a horta ficasse na responsabilidade de apenas um casal de moradores
do bairro, que não dá conta de gerenciar e produzir a quantidade de hortaliças
que o espaço comporta.
Buscando uma interlocução entre os sujeitos da Creche, famílias e horta poderia-se criar uma proposta pedagógica que dialogasse com esse espaço, que se apropriasse dele no sentido de torná-lo uma extensão da creche, um “laboratório” de vivências e experimentações que integram o eixo temático de sustentabilidade e protagonismo. A pesquisadora Ecléa Bosi discorre em seu livro O tempo vivo da memória (2003), sobre a importância das crianças pequenas terem contato com a natureza. “É bom ver uma criança acompanhar dia a dia o crescimento de uma planta em suas pequenas e contínuas mutações, (...) não para terem noções de Botânica, (...) mas para sair de si mesma, alegrar- se com uma vida que não é a sua.” (p.210)
Buscando uma interlocução entre os sujeitos da Creche, famílias e horta poderia-se criar uma proposta pedagógica que dialogasse com esse espaço, que se apropriasse dele no sentido de torná-lo uma extensão da creche, um “laboratório” de vivências e experimentações que integram o eixo temático de sustentabilidade e protagonismo. A pesquisadora Ecléa Bosi discorre em seu livro O tempo vivo da memória (2003), sobre a importância das crianças pequenas terem contato com a natureza. “É bom ver uma criança acompanhar dia a dia o crescimento de uma planta em suas pequenas e contínuas mutações, (...) não para terem noções de Botânica, (...) mas para sair de si mesma, alegrar- se com uma vida que não é a sua.” (p.210)
O projeto poderia contemplar a participação
das mães/pais que já moraram na roça e possuem saberes práticos da lida com a
terra e também aquelas que gostam dessa atividade. Para tanto é necessário um
trabalho educativo, de sensibilização tanto das famílias quanto do “pessoal” da
horta, a fim de que possam se envolver e se apropriar daquele espaço como um
espaço comunitário, desenvolvendo assim seu potencial educativo.
Por Karla Nascimento e Eliziane Valadares
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