sábado, 2 de novembro de 2013

CARTOGRAFIA IV- ESPAÇOS EDUCATIVOS

Horta Comunitária do Bairro Novo Horizonte no ano 2007

O espaço é, antes de tudo, produto de uma cultura, na medida em que não há um "mundo natural", ou seja, os diferentes espaços da nossa cidade são produtos das relações humanas, fruto dos fenômenos culturais e sociais.

O bairro onde se localiza o Cesei “Raio de Luz” fica na periferia de Governador Valadares. Quando há edital para preenchimento de vagas nesta instituição é comum ouvirmos os “buchichos”: “Nossa! Você vai trabalhar lá? É um bairro perigoso. Já vi na TV que acontece tiroteio lá. Que o acesso é difícil em tempo de chuva... etc”.
Contudo, apesar dessa “representação” associada à pobreza e violência o Novo Horizonte possui outras faces invisíveis para a mídia, para moradores de outros bairros e até mesmo para seus próprios moradores. Por vezes, as lentes da rotina e as nuvens acinzentadas de comentários como o que fora citado nos impedem de olhar além dessa perspectiva e perceber as dimensões educativas que existem ao nosso redor e que podem se articular com a proposta pedagógica das instituições de ensino.
Fazendo esse exercício de desnaturalizar o olhar para os espaços no entorno da instituição foi possível verificar que existem lugares potencialmente educativos no bairro: a praça, a Pastoral da Criança, o Posto de Saúde, as igrejas, lan houses, as chácaras, a ponte nova, a horta comunitária, para a qual daremos destaque nessa atividade.

HORTA COMUNITÁRIA
Esse espaço foi construído em 2005, dois anos depois do surgimento do bairro, com o objetivo de fomentar a agricultura familiar urbana, melhorando a qualidade de alimentação dos moradores e convívio social. Como figura no texto do guia de viagem: São os atores sociais que transformam os espaços físicos em lugar, por meio da produção de estilos com estruturas particulares de significados, os quais envolvem memória, sentimento de pertença e afirmação coletiva.
Contudo, os sujeitos envolvidos com as atividades da horta não conseguiram desenvolver um trabalho “em comum”, as relações conflituosas e falta de sentimento de apropriação por parte dos moradores fizeram com que a horta ficasse na responsabilidade de apenas um casal de moradores do bairro, que não dá conta de gerenciar e produzir a quantidade de hortaliças que o espaço comporta.
Buscando uma interlocução entre os sujeitos da Creche, famílias e horta poderia-se criar uma proposta pedagógica que dialogasse com esse espaço, que se apropriasse dele no sentido de torná-lo uma extensão da creche, um “laboratório” de vivências e experimentações que integram o eixo temático de sustentabilidade e protagonismo. A pesquisadora Ecléa Bosi discorre em seu livro O tempo vivo da memória (2003), sobre a importância das crianças pequenas terem contato com a natureza. “É bom ver uma criança acompanhar dia a dia o crescimento de uma planta em suas pequenas e contínuas mutações, (...) não para terem noções de Botânica, (...) mas para sair de si mesma, alegrar- se com uma vida que não é a sua.” (p.210)
O projeto poderia contemplar a participação das mães/pais que já moraram na roça e possuem saberes práticos da lida com a terra e também aquelas que gostam dessa atividade. Para tanto é necessário um trabalho educativo, de sensibilização tanto das famílias quanto do “pessoal” da horta, a fim de que possam se envolver e se apropriar daquele espaço como um espaço comunitário, desenvolvendo assim seu potencial educativo.


Por  Karla Nascimento e Eliziane Valadares

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